
.manhãs #1
A manhã chega num ápice. Nunca tinha vivido tão alto, vislumbrando à distância a Serra da Arrábida. Em manhãs de céu claro o sol nasce por de trás desse colosso longínquo tornando a serra negra e lançando uma áurea de luz no seu recorte, transformando o acto do amanhecer num espectáculo tão singelo quanto célere. É um momento que se apanha e que nos marca.
O Bairro são também as longas manhãs de limpeza dos detritos de noites vencidas. Os copos juntam-se aos milhares pela calçada fora e não creio que exista por aí grande solução para o ar tempestivo que as ruas deixam transparecer em cada madrugada de fim de semana.Não há lugar onde colocar contentores maiores, talvez alguém um dia se digne em pensar uma solução. Vale tudo menos dizer que assim está bem!
Sabe bem o café no Sr. José Carlos em final de madrugada, quando o Sol vence já a jornada. Grande Benfiquista não esconde nunca os jornais diários que desde as 7da manhã vão trocando de mãos;
Mas as manhãs no bairro de cara lavada são também muito mais que o pequeno caos atrás referido. São os cafés que despertam os 10.000 residentes, bravos alfacinhas que se lançam pela manhã no desafio que o dia tem a oferecer. É o café meio cheio junto da mercearia, e meio mundo com notícias e mentiras na boca. É o Benfica e a falta de governo do país que vão soldando as conversas como arames soltos, sempre presas ao café curto que no Bairro Alto tantas vezes se bebe meio frio a acompanhar torradas pintadas a manteiga. É a padaria da Rosa e a de São Roque no seu frenético serviço. Meio mundo anda de saco na mão, bem à antiga se vai buscar a broa da manhã. Serviço abundante na papelaria entre jornais, revistas, jogos de sorte e cigarros o frinzim é contínuo pela manhã fora. Há quem venha apenas ler as gordas, ver a capa da Bola ou galar as miúdas em capa nova de revista com menos de cinco números. Palavra de honra que nunca vi tanta gente jogar, é raspadinha é lotaria e o santo jogo que a Santa Casa lá inventou!
Manhãs de domingo que são passadas quando na verdade já é tudo menos manhã, talvez uma réstia às 15 para as 13h! Copos longos de sumo de laranja no café do príncipe rivalizam com copos largos no Noobai.
O Bairro é vivo pela manhã e oferece bem cedo a solução que procuramos ao longo do dia. É só visitar a loja da Dona Anita na Rua da Rosa, essa mini-mercearia onde se guarda a melhor fruta e hortaliça. O mercado serve peixe à bruta para encher a barriga a farta Brutus A escolha reduz se ao essencial, que por estas paragens obriga a guardar no frigorífico um arsenal simpático de Salmão, Dourada, roubado (tudo de viveiro claro está), muita Sardinha dita de Setúbal, entre polvo e choco. Quereis Bacalhau? ide à Rua do Arsenal exclama a Dona Joana! E amanha, limpa e despinha o peixe para eu oferecer um sushi a umas quantas almas. É pela manhã que se vence o dia aqui.
A manhã chega num ápice. Nunca tinha vivido tão alto, vislumbrando à distância a Serra da Arrábida. Em manhãs de céu claro o sol nasce por de trás desse colosso longínquo tornando a serra negra e lançando uma áurea de luz no seu recorte, transformando o acto do amanhecer num espectáculo tão singelo quanto célere. É um momento que se apanha e que nos marca.
O Bairro são também as longas manhãs de limpeza dos detritos de noites vencidas. Os copos juntam-se aos milhares pela calçada fora e não creio que exista por aí grande solução para o ar tempestivo que as ruas deixam transparecer em cada madrugada de fim de semana.Não há lugar onde colocar contentores maiores, talvez alguém um dia se digne em pensar uma solução. Vale tudo menos dizer que assim está bem!
Sabe bem o café no Sr. José Carlos em final de madrugada, quando o Sol vence já a jornada. Grande Benfiquista não esconde nunca os jornais diários que desde as 7da manhã vão trocando de mãos;
Mas as manhãs no bairro de cara lavada são também muito mais que o pequeno caos atrás referido. São os cafés que despertam os 10.000 residentes, bravos alfacinhas que se lançam pela manhã no desafio que o dia tem a oferecer. É o café meio cheio junto da mercearia, e meio mundo com notícias e mentiras na boca. É o Benfica e a falta de governo do país que vão soldando as conversas como arames soltos, sempre presas ao café curto que no Bairro Alto tantas vezes se bebe meio frio a acompanhar torradas pintadas a manteiga. É a padaria da Rosa e a de São Roque no seu frenético serviço. Meio mundo anda de saco na mão, bem à antiga se vai buscar a broa da manhã. Serviço abundante na papelaria entre jornais, revistas, jogos de sorte e cigarros o frinzim é contínuo pela manhã fora. Há quem venha apenas ler as gordas, ver a capa da Bola ou galar as miúdas em capa nova de revista com menos de cinco números. Palavra de honra que nunca vi tanta gente jogar, é raspadinha é lotaria e o santo jogo que a Santa Casa lá inventou!
Manhãs de domingo que são passadas quando na verdade já é tudo menos manhã, talvez uma réstia às 15 para as 13h! Copos longos de sumo de laranja no café do príncipe rivalizam com copos largos no Noobai.
O Bairro é vivo pela manhã e oferece bem cedo a solução que procuramos ao longo do dia. É só visitar a loja da Dona Anita na Rua da Rosa, essa mini-mercearia onde se guarda a melhor fruta e hortaliça. O mercado serve peixe à bruta para encher a barriga a farta Brutus A escolha reduz se ao essencial, que por estas paragens obriga a guardar no frigorífico um arsenal simpático de Salmão, Dourada, roubado (tudo de viveiro claro está), muita Sardinha dita de Setúbal, entre polvo e choco. Quereis Bacalhau? ide à Rua do Arsenal exclama a Dona Joana! E amanha, limpa e despinha o peixe para eu oferecer um sushi a umas quantas almas. É pela manhã que se vence o dia aqui.